segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Coração de poeta

Criei dia 23/08 o blog: http://coracaodepoeta.zip.net/, que publicarei os poemas e sonetos escritos pelo meu avô, Nilton Abrão, jornalista aposentado. Ou como ele mesmo brinca em se descrever: "poeta, prosador, espadachim e bêbado". São poemas e sonetos lindos, com o português clássico e estrutura "Camoniana". São todos carregados de muita paixão...

" Ah! mocidade aflada por quimeras,
Espírito arrojado que, sonhando,
Quis engendrar sublimes primaveras,
Sob frio sol de neve transbordando!"

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Tempo para dar corda


ela disse a palavra antes de fazer a conta do tempo do amor. tinha aquelas horas a espera de trocar um carinho na almofada vermelha, ou simplesmente por saber que no momento que quisesse esticar os braços, alcançaria os cabelos frios do vento. agora sozinho, fecha a fresta da varanda e muda de mão o controle para acariciar somente o pelo branco da cadela que conta também o minuto para ela chegar. ela não contou a hora que faltava, pensou e disse sem olhar para o segundo ou ouvir o ponteiro do amor que badala fraco por falta de corda. ela para, e tenta voltar com a palavra impressa no tempo para ganhar o instante no espaço do amor que ainda vive.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Estreie nesta sexta-feira 13, a peça Roberto Zucco de Bernard M. Koltés, dirigida por Rodolfo Garcia Vázquez da Cia Satyros. Faço 3 participações na peça: Uma mãe, cena da família que o Zucco se envolve com a menina; Uma puta, que está no bar que o Zucco briga; e Uma mulher do parque, na cena do Refém. Foi um processo de quase um ano, cheio de percalços, mas que agora gerou um lindo espetáculo. Agradeço a Deus por esta oportunidade, pela experiência que estou vivendo e principalmente pelos amigos que fiz nesta jornada, obrigada! E como diz meu querido Dyl, viva os os sobreviventões!!!

video

Estreamos!!!


recipiente apertado



a alma despeja algo dentro de um recipiente apertado que não cabe nada. tudo transborda. é expurgado tudo que queria entrar com desespero. desespero por um recipiente que acalmasse, amparasse todas as partículas carentes de ilusões. podia ser só por um tempo maior que tudo cabesse ali. como a alma acreditou em um objeto desse, isso não se sabe. acho que ela estava com a vista turva pelo perfume das sensações. o perfume também ludibriou a vontade da alma soprar o vento que a árvore precisava, e sem vento, ficou sem flores. agora vai ter que fazer força extrema para parar de chorar o que já foi derramado e o que não foi soprado com vontade. seu peito apertado permite que dê um salto ela veja de binóculo que ela diminuiu de tamanho. encolheu dolorida. agora o líquido passa debaixo da porta junto com o vento e ela olha pra cima pra soprar novas flores que vão nascer, e pensar que ainda pode comer uma pétala rosa com gosto de mel e encher uma taça que cabe seu vinho.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

ORAÇÃO DO ATOR

Ó meu Deus! Ator Onipotente, criador do maior Espetáculo - o Universo - ouve-me nesta prece de amor!Dai-me a perseverança, a paciência, a dignidade e o amor!Fazei com que minha personalidade não se deixe influenciar pelo meu personagem, mas, que eu possa colher dele, toda a vivência, todo vigor, toda força, toda magnitude!Que eu transforme a realidade em uma nova realidade, que eu recrie a obra da arte com toda força inteira e que eu colha do meu trabalho toda justiça, toda fortaleza, toda grandeza e todo amor!Fazei com que as luzes dos refletores se tornem luzes divinas a iluminar todos os atos da minha vida, para que eu faça do palco um altar, sempre na intenção de o respeitar, dignificar, amar e venerar...Que cada representação seja para mim, um Ato de Fé!Que cada trabalho seja um sacrifício de glória e sucesso!Para que eu envelheça, crescendo na representação e representante, crescendo na velhice; sempre trabalhando, trabalhando, emocionando e glorificando. Enfim, para quando eu não mais existir, a minha atuação aqui na Terra não tenha sido em vão, e que, quando cair o pano, no ato final, todos aqueles que convivem comigo, possam aplaudir-me gritando: Bravo, Bravo!E assim, eu possa agradar ao Maior Diretor Universal: DEUS!
[São Genésio: Padroeiro dos Atores]