quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

sono bom

aquele sorriso que não dei para uma pessoa que julgo mal deve ser o mais aberto, o mais sincero, sem fazer meia boca ou mostrar menos dentes. relaxar e rir. piegas é rir de pouco. vou rir de muito. dançei quando o pensamento me pré-ocupou com algo que pude resolver com algumas horas sem dormir. assim o lençol não prega na coxa. e fazer no hoje sem dúvida é bem melhor que deixar para quando achar que não terá sono, mas sempre vai adiar para mais alguns minutos do despertador. agora boa noite.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Claro que posso contar

Apaixonei-me por ela cedo, quando ainda brincava de escorregar nas pernas do meu avô e ouvia as poesias de ponta cabeça com as pernas no encosto do sofá. Ouvia ela através dos cânticos que minha avó embalava cozinhando um empadão para o Natal. Admirava -a de madrugada nos filmes de "BestWestern" com meu vovi. E depois sonhava com ela...
Talvez tenha ficado afastada dela por vários períodos diferentes de tempo. Como um grande amor platônico que vem e vai, nos repele e nos atrai.
Da infância até os quinze anos quando olhei o anúncio de "aulas de teatro" perto da escola.
Comecei a trabalhar por causa dela, com o sonho de um dia poder tocá-la, chegar bem pertinho. Flertei com ela durante uns dois anos e depois parei, pois fazia planos de quando estivesse com mais dinheiro pudesse reencontrá-la e curtir melhor nossa vida.
Então a busca por dinheiro e o sucesso dele me fizeram esquecer o porque fazia tudo.
Dez anos depois descobri e voltei empolgada e dedicada para nos reencontrarmos. No início conciliei tudo e sabia separar a nossa relação do material, do físico. Mas ao vislumbrá-la tão próxima de mim, talvez tenha errado um pouco a mão, e larguei o plano físico para poder ficar com ela todas horas do meu dia. Dedicar-me integralmente a ela. Foi tudo muito lindo. Lindo até o momento em que eu comecei a cobrá-la de algo que ela não tinha culpa. Comecei exigir dela o que abri mão. Achei que ela poderia me dar a paixão e mais o plano físico que abandonei. E é claro...nossa relação começou a se desgastar.
Então decidi que voltaria para o plano físico, mesmo tendo que ficar mais longe dela.
Dei menos do que ela esperava para poder retribuir como eu gostaria. E ela me retornou menos do que eu esperava com o que dei para ela.
Mas assim agora quero consumar uma relação sem exigências, sem esperar retorno.
A entrega será livre por amor a ela, a minha arte.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

três meninas

há três (3) meninas dentro de uma.

a primeira de unhas afiadas machuca a pequena que chora no canto esquerdo da coluna.

a do meio pede socorro do alto dos olhos da torre:

"como faço para controlar esta menina?"

uma voz diz: "corte as unhas dela" e outra: "faça a pequena reagir"

a pequena que soluçava de chorar tem abraço da do meio

a felina já se sente culpada por afundar muitos as unhas desta vez.

hoje eu vi



hoje eu vi um homem de terno molhado, cabelo pingando e poças no sapato novo que comprou para a entrevista. caminhava na chuva da rua dos Pinheiros em direção a Faria Lima. Seu olhar ensopado questionava se suas mãos vão poder apertar as secas do Diretor. Não era para ser? É assim que se deve pensar? A culpa é do guarda-chuva que ficou em cima do armário da lavanderia. E ainda não pode esquecer que não pode enfiar o terno dentro da máquina de lavar.

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

meu grito inspirado no "cronicamente inviável"

são tantos esforços e dinheiro gastos para a criação de lixeiras de reciclagem em SP, que bonita é esta ação que todos se movem para jogar lixo no lixo certo.

são tantos esforços e dinheiro investidos em postos de inspeção veicular para medir a poluição dos veículos, aprovar, reprovar e multar carros que poluem a nossa bela cidade de SP, como é bonito.

são muitos os esforços para conscientizar a população de SP economizar água, luz...

mas até hoje eu nunca vi tanto esforço, tempo e dinheiro sair do governo de SP assim para conscientizar, construir, ajudar a tirar as pessoas das ruas e das drogas. Ou para tirar o povo do esgoto e da favela.

seria muito mais bonito se oferecessem clínicas gratuitas para a recuperação dos drogados das "cracolândias", que literalmente "sujam e enojam" a nossa cidade, a ver tantos postos de inspeção veicular construídos com profissionais capacitados para isso.

se estes investimentos são possíveis em tempo rápido, por que não pensar no homem primeiro? pensar no clima, na natureza é pensar no homem, mas o que vem primeiro?

preferia ver muita fumaça preta, muito lixo esparramado, desordem no trânsito, a ver o ser humano, nosso igual, pior que o lixo bonitinho separado em baixo das pontes de SP. E o que é pior, comendo lixo da lixeira não reciclável. Deitado no chão sujo dos óleos dos carros.

Parece até que estão mais preocupados com o óleo no chão que o carro solta, do que com o homem que dorme nele...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

mutação

todos os sonhos planejados foram concebidos na mente e vividos na realidade
até hoje, não tem o que reclamar,até aqui tudo estava pensado
o que passou do ponto e os elementos surpresas são devidos da falta de precisão
ausência de detalhes que não se pode ter em um sonho
e depois de um vácuo construído nos dias sem planos
a escassez de desejos faz da realização um objeto na prateleira da estante
junto com os livros que ainda estão para ser lidos
pois agora são vários os caminhos possíveis e impossíveis,
escolhas de sossego, de montanha russa, de jogo da velha, de xadrez
os sonhos de agora com o futuro estão se desenhando
um pouco levianos, às vezes volúveis, podem se modificar
não permanecem iguais nem mesmo 24 horas do dia

Música da outra semana

Se você não suporta mais tanta realidade
Se tudo tanto faz, nada tem finalidade
...
Olhei pro amanhã e não gostei do que vi
Sonhos são como deuses:
Quando não se acredita neles, deixam de existir
...
E agora vou me perder nesse planeta conhecido
Intuir novos mistérios, descobrir outros sentidos
...
Meu corpo vai sobreviver mesmo estando ferido
E até na hora de morrer eu não vou me dar por vencido
...
Olhei pro amanhã e não gostei do que vi
Sonhos são como deuses
Quando não se acredita neles, deixam de existir

Trechos da música "Admito que perdi" de Paulinho Moska