terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Para ela: a imaterial

Apaixonei-me por ela cedo, quando ainda brincava de escorregar nas pernas do meu avô e ouvia as poesias de ponta cabeça com as pernas no encosto do sofá. Ouvia ela através dos cânticos que minha avó embalava cozinhando um empadão para o Natal. Admirava -a de madrugada nos filmes de "BestWestern" com meu vovi. E depois sonhava com ela... Talvez tenha ficado afastada dela por vários períodos diferentes de tempo. Como um grande amor platônico que vem e vai, nos repele e nos atrai. Da infância até os quinze anos quando olhei o anúncio de "aulas de teatro" perto da escola. Comecei a trabalhar por causa dela, com o sonho de um dia poder tocá-la, chegar bem pertinho. Flertei com ela durante uns dois anos e depois parei, pois fazia planos de quando estivesse com mais dinheiro pudesse reencontrá-la e curtir melhor nossa vida. Então a busca por dinheiro e o sucesso dele me fizeram esquecer o porque fazia tudo. Dez anos depois descobri e voltei empolgada e dedicada para nos reencontrarmos. No início conciliei tudo e sabia separar a nossa relação do material, do físico. Mas ao vislumbrá-la tão próxima de mim, talvez tenha errado um pouco a mão, e larguei o plano físico para poder ficar com ela todas horas do meu dia. Dedicar-me integralmente a ela. Foi tudo muito lindo. Lindo até o momento em que eu comecei a cobrá-la de algo que ela não tinha culpa. Comecei exigir dela o que abri mão. Achei que ela poderia me dar a paixão e mais o plano físico que abandonei. E é claro...nossa relação começou a se desgastar. Então decidi que voltaria para o plano físico, mesmo tendo que ficar mais longe dela. Dei menos do que ela esperava para poder retribuir como eu gostaria. E ela me retornou menos do que eu esperava com o que dei para ela. Mas assim agora quero consumar uma relação sem exigências, sem esperar retorno. A entrega será livre por amor a ela, a minha arte.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Personagem "o homem molhado"

Hoje eu vi um homem de terno molhado, cabelo pingando e poças no sapato novo que comprou para a entrevista. Caminhava na chuva da rua dos Pinheiros em direção a Faria Lima. Seu olhar ensopado questionava se suas mãos vão poder apertar as secas do Diretor. Não era para ser? É assim que se deve pensar? A culpa é do guarda-chuva que ficou em cima do armário da lavanderia. E ainda não pode esquecer que não pode enfiar o terno dentro da máquina de lavar.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Sem promessas

Depois de um longo tempo consegui compreender uma atitude mesma que minha memória transformou. Novo desenho da lembrança impressionante e impressionada pela possibilidade modificada pelo tempo. Nós a desenhamos novamente conforme nossa sanidade dentro do limite real. Sob o julgamento correto dos olhos que de longe podem condenar à todos entre si. A exigência que esteja com sentidos vivos amanhã com os comprissos de ontem. Mas ninguém em sã consciência reflete quão longo é o dia para se garantir estar vivo. Que palavras usar a convencer os seus, se não a ti pertence algo além deste instante? Quão leviana sou e fui por ter deixado morrer a vontade de um curso em tempo final, se não sou dona da vida. Sem justificativas para egoísmo que tem culpa já desculpadas. Todos contratos são irreais se não preverem a morte nas entrelinhas. O contrário se enchem de apelos, promessas e a não espera da morte que afundou o continuar. E o inconformismo era como se deixou morrer nos últimos dias. Não sou a mesma de ontem que morreu entre os julgamentos. E agora, de outro lugar, pode-se emitir as palavras e acordos de sons de outra vida? Somente sem grandes promessas.

Posso desistir

Eu posso desistir. Alguém inventou que a persistência é uma qualidade, mas ela pode também ser sinal de burrice, pois todos podemos voltar a atrás quantas vezes quisermos e assim mesmo não estaremos desistindo, pelo contrário, continuamos lutando de alguma forma para nossos sonhos se realizarem. Toda vez que você desistir de algo, está automaticamente pensando em começar outra coisa nova.
As vezes persistir em algo que já secou é só perda de energia. 
Só não desisto da minha causa. A causa de existir com alegria.

domingo, 7 de novembro de 2010

Sem o Eu maior

Pés inchados sobre a almofada bege dilatam as veias que recebem a vibração dos maus pensamentos. Ondas depressivas entram em rota de colisão no círculo vicioso do inconsciente que para de receber as ordens do eu maior. Reverberam os questionamentos de amor e da sabedoria.

Se saber traz o sofrer, por que a busca incessante dessa morada nas incertezas? 
Pra quê trabalhar? se o trabalho é uma das ilusões onde brincamos de distrair da existência e que nos afasta dos vícios. Fábula boa que junto da instituição do casamento e filhos, fazem girar as rodas do consumo e as peças econômicas capitais, e o impedem de querer a morte, pois aí pensam que podem precisar de você. 
De onde vem o desejo de fazer achar que você quer entrar no carro novo, ter celular que entra na internet, notebook que cabe na bolsa, a TV que se vê de óculos... Aí, mas qual é mesmo o motivo da existência? 
Ser alguém, sucesso onde for, casar, viver de trabalhar, comprar, ter filhos para fazerem o mesmo e assim o círculo continua sem parar... 
Será que o motivo de estar aqui para aprender algo com o bem que se faz a alguém e a todos amar é utópico? Então não sei pra que tanto o que, aonde, como...se tanto faz...tá aprendendo de qualquer jeito em tudo que se faz e em todo lugar tem esta oportunidade. Não precisa nem tentar deixar alguma coisa para humanidade, só ame e faça caridade. Eu maior voltando...

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

sob o véu

qual é a real diferença

entre um poeta da academia de letras que você conhece ou não

entre um cantor que canta no bar ou num grande salão

entre um pintor que tem sua obra no masp ou no porão

entre um ator de teatro ou de roldão?

será que as pessoas que atingiram maior excelência na arte são as que conhecemos na escola, nos livros ou na mídia?

quantos outros Mozarts, Picassos, Pavarottis, Shakespeares, Al Pacinos existem sob o véu da obscuridade da história?

será que os verdadeiros artistas sublimes são aqueles imortalizados pelo tempo?

ou será...

pois os "ou" são muitos...

aí me vem... por que será que mesmo sem ter chance alguma de serem revelados eles continuam suas obras?

por que mesmo sem ter recebido qualquer prêmio ou reconhecimento não deixam de fazer e criar, criar novas e belíssimas artes?

podem ter esperança de um dia serem imortalizados, mas às vezes fazem a escolha de não querer... não querer que sua arte termine nunca... no sentido de nunca acabá-la e no sentido de nunca ser conhecida por ninguém além de suas margens de sangue e amizade.

não sei... eu só sei que a estes eu devo muito.... parabéns! aplausos de pé.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

quando foi?

eu só queria saber quando foi?
quando foi?
o exato momento que deixamos de priorizar o nosso amor
e que colocamos á frente nossos sonhos individuais,
ambições díspares, que nos impulsionam a caminhos opostos?
se eu pudesse saber o momento
voltaria no tempo para ver quem foi o primeiro,
pois sei que você não o fez sozinho,
eu tenho toda minha parte neste caminho,
caminho de quase solidão que vivemos a dois.
o amor existe meu amor e sempre irá existir, mas não é mais o primeiro,
não é o que nos faz agir com o impulso de viver.
hoje nos faz pulsar a profissão, carreira, ocupação, ambição de um reconhecimento,
o reconhecimento como servidor da cor, da arte, da alegria do outro,
mas não de seu amor.
quando eu chegasse a este momento decisivo poderia imaginar como seria
se um dos dois não tivesse tomado esta decisão.
escolha um pouco infeliz de amor a dois, mas feliz de amor de servidão.
não sei se tomaríamos caminhos diferentes
depois de ver como tudo já se encaixou no tempo.
mas como poderia voltar no tempo? em que tempo?
se não sei nem mesmo quando foi.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

"Casal para Nelson"



Fui enlaçada pelas palavras que este menino utilizou com um olhar único, poético, sobre uma “menina que logo moça virou mulher”.
Apaixonei-me pelo conto.
No princípio não percebi as vírgulas de grande malícia que pontuavam cada respiração da menina. Fui com um primeiro olhar inocente, mas tudo foi se encadeando e pude constatar a inspiração e criação "TitoRodrigueana".
Com o desenrolar do conto a menina cresceu e cresceu também sua audácia, sua leviandade e sua dor. Fascina a forma como o Tito finaliza o conto. Envelhece a personagem com a redenção e penitência indireta pelos seus atos imorais da juventude em uma vida conjugal nada feliz.
O encontro do conto com a peça coroa esta relação de casal, “Casal para Nelson”, que apesar de utilizar o conto como fundação, só o apresenta no subtexto da pequena peça.
Este texto para mim é muito expressivo, marcante e exige de mim uma densidade ainda não experimentada.
Agradeço ao Tito por esta oportunidade e tenho orgulho de tê-lo como amigo, colega de trabalho, diretor, afilhado... sempre.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

biscoito da sorte

no parapeito do 23º andar a lágrima cai



é tão imprevisível estar vivo



a mensagem do biscoito da sorte chinês a faz rir



uma palavra define todo um futuro que ela escreveu nos pensamentos inseguros.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

tintin

Coça o nariz com o pelo do gato nos olhos

comemora com a saia da boneca queimada nas idéias

amassa o chancliche regado a muito azeite

lava com vinho derrubado as risadas presas

contraria tarde o bom homem que acorda cedo

terça-feira, 19 de outubro de 2010

pensamento voador


duas madrugadas sem dormir em pensamentos que me levam a várias estações.
a lâmpada do abajur não deve se apagar antes das pestanas pesarem.
se eu as apago por apagar é condicional para que os pensamentos fujam da razão.
mesmo tentando prendê-los pelo controle da respiração eles voam.
ninguém consegue segurar uma borboleta depois que fica acima dos dedos mais longos.
mas eles não ficam somente na estação do que é irreal e talvez inalcançável.
agora também transitam pelas realizações presentes de alegria e luz.
são pacificados pelo conhecimento que penetra pelas pestanas através dos olhos de vidro.
e sentem-se empolgados por cada nova identificação com seus ancestrais.
personificam o prazer por si e pelo outro que os toca em sonho.
e assim fazem adormecer sem a consciência de qual foi a imagem que os imobilizou.



sábado, 2 de outubro de 2010

"cola do blog do meu amigo Dyl"



Crítica: Momento inquietante na Praça Roosevelt
Por Luciano Maza (SP) - Caderno Teatral
Bernard-Marie Koltès (1948-1989) é o principal nome da dramaturgia francesa da segunda metade do século XX e seu autor mais encenado no mundo. Sua obra é marcada pela força da linguagem que transita entre o coloquialismo e a poesia, e também pelo retrato contundente de um universo marginal com personagens que lidam com a violência de uma realidade crua, excludente e solitária.

Temas muito caros também ao grupo brasileiro Os Satyros que ao longo de sua História travou diálogo com textos que abordam a marginalidade social, assimilando a questão presente no dia-a-dia do coletivo que se localiza numa região degradada da cidade de São Paulo e que até sua chegada estava abandonada e habitada por figuras como traficantes, drogados, trombadinhas, prostitutas e travestis que carregam em si a tragicidade do submundo.
É de se festejar o pertinente encontro entre a companhia paulistana e o autor francês com a montagem de “Roberto Zucco", seu último texto - encenado pela primeira vez apenas um ano após sua morte, na Alemanha. Na peça o dramaturgo toma a História real do famoso serial killer italiano Roberto Succo: um jovem perturbado que entre 1987 e 1988 matou diversas pessoas em países da Europa depois de fugir da prisão psiquiátrica em que estava por ter matado o pai e a mãe anos antes. O Zucco da ficção é apresentado sem julgamentos e sem camadas psicológicas, o que o autor faz é mostrá-lo nas situações em que se encontra, sem se preocupar em explicar o porque chegou até elas ou dissecá-las moralmente. Também não defende o ponto de vista do protagonista, não caindo assim na armadilha de martirizá-lo como muitas vezes acontece quando um autor tenta justificar os atos de um personagem maléfico. Acompanhamos em quadros o olhar oblíquo do personagem, sua mente doentia e a saga por sobreviver numa condição que desde o início está condenada à morte, como um herói trágico destituído de boas inteções. São fragmentos que mostram seu reencontro com a mãe antes de assassiná-la, seu envolvimento com uma menina inocente e como isso afeta a família agonizante da mesma, suas idas à um bordel onde parece sentir-se um pouco menos desconfortável e seus encontros com personagens do cotidiano das ruas, do metrô e de uma praça onde conhece uma mulher elegante, símbolo da burguesia que no fundo tem consciência de que algo está errado, mas espera um acontecimento externo para agir ou reagir. A força do texto é a própria força deste personagem, protagonista absoluto, e a estranheza de sua linguagem e estrutura dramática que provocam uma inquietação ainda maior nos espectadores. A direção é de Rodolfo García Vázquez (também tradutor do texto), um dos maiores criadores de imagens do teatro brasileiro. Utilizando poucos recursos e trabalhando muito bem suas iluminações, o diretor consegue efeitos de forte plasticidade com o estilo algo sujo e espectral que lhe é peculiar. Agora não é diferente: o encenador cria ótimos momentos na montagem, em especial as cenas coletivas como a do final e a do parque - a melhor do espetáculo, ápice criativo e de condução dos atores -. É de se destacar também o excepcional uso do espaço físico - em pesquisa espacial já iniciada em “Hipóteses Para O Amor e A Verdade” -, o recurso das arquibancadas móveis é muito interessante ao localizar em diferentes lugares os quadros que compõem o texto, movendo nosso olhar perante a cena, ampliando e reduzindo os ambientes de ação e dando ritmo à sequência. Os movimentos não são em nenhum momento gratuitos e são precisamente executados. O jovem elenco forma um conjunto que em diferentes níveis responde bem às necessidades da encenação. Robson Catalunha encara a difícil tarefa de viver o protagonista, tendo um típo físico mais franzino que o personagem demanda. É visível seu esforço e empenho, mas lhe falta algum peso; sua surpresa está na sensibilidade do olhar que constrói para o psicopata e que chama atenção na cena em que dialoga com a mulher e seu filho que será morto por ele. Julia Bobrow perpassa as emoções apaixonadas da jovem menina sempre de maneira verossímil, há uma infantilização na figura que desenha com quase malícia e que de certa forma a limita, mas o reencontro de sua personagem com o protagonista ganha força graças à seu bom trabalho. Cléo de Páris como a irmã da menina utiliza o exagero do expressionismo nas duas cenas em que contracena com outros atores, acertando o tom na segunda, já em seu solo libertário exibe um belíssimo momento de atuação quase performática. O grande destaque do elenco fica com Maria Casadevall no papel da mulher que é sequestrada pelo personagem principal e nutre por ele uma espécie de fascínio ao tirá-la da comodidade da vida medíocre. A atriz surpreende em todo tempo que está em cena, alcançando a estranheza necessária para não cair no realismo das reações convencionais que a situação traria, dando o exato sentido inerte que esconde o desespero da personagem. José Alessandro Sampaio como o irmão da menina e Elaine Grava como a mãe do protagonista e madame do bordel estão corretos em seus personagens. Completam o elenco Dyl Pires, Diney Vargas, Victor Lucena, Priscilla Leão, Katia Calsavara, Marcio Pellegrini, Cristiano Dantas, Thadeo Ibarra, Cláudio Wendel, Ricardo Campanille, Renan Pena, Aline Leonello e Julia Ornelas.
Imperdível, “Roberto Zucco” é mais um grande momento artístico do grupo da Praça Roosevelt.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

pé lindo e feliz!



Sim!Com um lindo sorriso que não vê nos olhos a algum tempo. Ele é grato pelos dias de sol ou nublados. É tão lindo que não permite que falem mal da nuvem e o tempo cinza que também é lindo. O cheiro da chuva que embaraça os cabelos, mas irriga os ares dos pulmões secos.
Para lembrar sempre e voltar neste. Neste que dá glória por estar viva com saúde dos fios do cabelo a unha do pé que a sustenta no passo livre. Eles podem ficar marejados por algum tempo, mas lembre da ficha que caiu depois de um longo tempo. Saiu da "matrix" e viu tudo mais real, mais sentido, mais pensado.
Não volte para a existência que vive nas ilusões das aparências de dentro da "matrix". Voltar para "matrix"? Lá você não pensa, lembra?
Vai sempre ter algo dentro de você que tem de ser controlado. Esse algo dentro que é sugestionado pela mídia ou pelos que lá estão conectados e não percebem.
Não seja abduzida novamente, pelo simples prazer de fazer parte dela só para comprar o sapato novo e a espaço-nave para sair de lá.
A beleza dos dedos, do peito, das unhas, do calcanhar são únicas e especiais sim. Não ligue para os que pensam que são menores ou iguais.
Encha a alma como um balão que não estoura nunca e pode ficar mais cheio, mais colorido, mais bonito... Então inspire, puxe o ar mais e mais... e imagine o tão lindo q vai ficar!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

o papel branco



ela sentiu sem bater a hora. ninguém precisou avisar. ninguém repara. não, não coincide com a tensão do antes de lembrar que é uma mulher. esta vem depois a cavalo com um felino de olhar comovedor na garupa. olhar que faz olhos ficarem secos num saldo de apenas vinte minutos ao dia. procura por entre as coisas jogadas na cama, onde foram parar as certezas, que variam de acordo com a temperatura do dia. o papel branco em cima da mesa não conta as anotações que devia ter feito para si da última vez. da última vez, pensou que havia pensado acertadamente sobre o que fazer. mas agora tudo se foi novamente. apagou-se ou não ficou legível o tal do pensamento acertado. vai ter que refletir mais uma vez e tentar chegar noutra conclusão. conclusão que não a leva para lugar algum, só mais a dentro da neblina da montanha.

Sylvia Ji
















a procura de uma beleza decadente me apaixono por um olhar pintado por uma menina oriental americana com talento excepcional. hipnotiza a beleza modelar, as cores de olhos contrastados... caveiras bonitas de semblantes tristes... santas e mexicanas. inspiração para alma!

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

"mal olhar e paixão"

Na última aula, tive uma nova dúvida, que também veio acompanhada por novo bilhete.
O que gerou a minha pergunta foi o tema: "pecado por pensamento ou adultério".
Um dos comentários da professora sobre o assunto foi mais ou menos assim:
“... todo o que lançar um "mal" olhar para uma mulher, cobiçando-a, já no seu coração adulterou com ela".
- Como posso considerar que seja um "mal" olhar, se o mesmo é feito por admiração à beleza, as qualidades desta mulher? A atração é ruim? Não é natural do homem? Não consigo ver como algo "mal" ou ruim, mesmo que este homem seja casado... Será mesmo mal? Não pregamos que devemos amar a todos?
Então ela respondeu que devemos amar sim, mas como irmãos. E que ainda não estamos evoluídos suficientes para amar a todos desta maneira. Pois aquele que tem o coração puro nem sequer pensa no mal.
Recebi o bilhete da "Liz" dizendo:
- O Amor é bom, a diferença é a paixão. Na paixão nós queremos o outro para nós, no amor nós queremos apenas a felicidade do outro. O mau aí é a cobiça, o desejo malicioso e não amoroso, é apenas o físico. Podemos amar todo mundo, mas podemos escolher fazer sexo com uma pessoa só. (casamento no sentido mais básico é isso: escolher 1(uma) pessoa para se relacionar sexualmente). Pecado=Pccahus=tropeço (só isso). A paixão é ruim, é uma doença, faz mal a quem sente e ao objeto dele. A vibração do amor está no oposto. "Liz"
Mas neste caso eu não me convenci por completo.
Para um homem iniciar uma relação com uma mulher, ou vice-versa, antes precisa existir certa atração, não acha? Caso contrário serão apenas amigos, ou até menos que isso... Deste “olhar” poderá vir uma relação com amor verdadeiro. Então será que este "mal" olhar é mesmo "mal" e não precisa ser "lançado"?
E a paixão hoje em dia, não é considerada uma característica positiva? Somos aconselhados a viver a vida com paixão, isto é, com intensidade e entusiasmo. Também é melhor ter uma paixão, ou seja, um objetivo na vida, algo que dê um sentido a nossa existência e que nos sirva de estímulo para não cairmos na rotina.
(A origem da palavra "paixão" faz referência ao fato de suportar alguma ação sem poder se opor a ela. É o significado utilizado pela tradição cristã ao referir-se à "Paixão de Cristo", isto é, às humilhações que ele teve de suportar entre sua prisão e sua execução na cruz. A Paixão de Cristo é um dos exemplos do que se pode chegar a suportar para atingir uma meta. Para o cristianismo, Jesus, por amor a humanidade, aceitou as piores humilhações para mostrar a seus fiéis a verdade de sua promessa por meio da ressurreição.)
O filósofo Kant (sec.XVIII) disse que a paixão é uma doença, porque nos priva de nossa liberdade. Mas no sec. XIX se começa a pensar que os sentimentos e as paixões nos desvendam aspectos deste mundo que a simples razão não saberia reconhecer. É perigosa para as pessoas frágeis que se deixarão dominar por elas, serão úteis para os que tiverem vontade suficiente para dominá-las e tirar proveito delas. O filósofo alemão Hegel (sec.XIX) disse que "nada de grande se fez no mundo sem paixão".

orgasmo espiritual

Comecei um curso de espiritismo para me aprofundar nesta filosofia, religião, e lá eu tenho liberdade de tirar minhas dúvidas.
Na 1ª aula, depois de um comentário da professora sobre as experiências anteriores a esta vida, aproveitei e questionei algo que sempre "martelou" na minha cabeça quando falavam de reencarnação:
- Há espíritos "novos" sendo "fabricados", nascendo hoje, ou só existem os "velhos experientes" que ficam renascendo e renascendo?
Então tive uma breve explicação, porque este assunto será abordado no decorrer do curso, onde ela explicou que mesmo o espírito sendo novo, existe novos espíritos nascendo sim, mas mesmo novos, eles trazem uma experiência de "vida" como ser vivo.
Então conclui que podemos sim ter sido pedra, planta, animal, mas segundo a filosofia nunca regredimos, só progredimos.
Legal! Por pior que o homem tenha sido, nunca mais será cachorro novamente... Segundo eles.
Foi depois disso que tive uma grata surpresa, recebi um bilhete. O bilhete tocou no meu braço e me deu choque. Pareceu até um sinal. Foi entregue por uma colega de sala. Que depois fui saber quem era. O bilhete dizia:
- Toda relação sexual onde existe o amor verdadeiro e onde os dois parceiros atingem o orgasmo não somente físico resulta na criação de uma alma nova. As relações sexuais meramente físicas resultam no corpo meramente físico, que será nova morada de um espírito que necessita reencarnar. (não se trata de uma regra, mas de como o sexo é realmente mágico e muito mais sagrado do que as pessoas imaginam) “Liz".
O bilhete foi um complemento para minha pergunta, pois o próximo passo ia querer saber "quando nasce a alma nova?" e "quando nasce a alma "com bagagem de vida humana anterior?"". A Liz nem imagina como esta mensagem me veio em boa hora...
Agora se é verdade, ou não, não sei, mas me pareceu bem plausível do porque existem mais seres "experientes" nascendo. Eu acho que está faltando na terra pessoas que possam fazer amor verdadeiro e atingir um orgasmo espiritual...

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

"Maca do gineco"



Eu fui ao meu "gineco" ontem e me lembrei da minha 1ª consulta ao ginecologista. Seria engraçada, se não fosse trágica. Toda menina deveria ver a foto de uma maca de ginecologista antes de entrar sozinha para a 1ª consulta. É, eu tinha "vergonha" que a minha mãe me acompanhasse em tudo, então ela ficou do lado de fora. Aí, lá fui eu, com os meus 16 anos, achando que saberia me virar muito bem sozinha! E foi realmente uma virada e tanto!

Bom, primeiro existia uma assistente que me explicou:

-Tira tudo e coloca o avental, tá querida!

Entrei no banheiro, tirei a roupa e me deparei com o ... 2 aventais! Então pensei: "..ah, um deve ser para colocar de frente e outro por traz, afinal eles tinha uma abertura muuuito grande, não cobriam nada... Saí do banheiro e a cara da assistente tentando segurar a risada foi a pior. Talvez tudo teria sido melhor se ela e o Dr. Jesus, tivessem rido mesmo na minha cara, talvez teria ficado mais calma. Ela falou com delicadeza:

- É só um avental querida!

- Mas tinham dois lá no banheiro...

- Então um deve ser da paciente que saiu e não jogou fora.

Logo pensei..."hum, que nojo, a mulher vestiu isso pelada também, né!

- Então vou tirar.

Tirei e voltei para sala mais constrangida ainda, porque sem o outro avental tudo ficava mais transparente, mas o que ia adiantar, o Dr. Jesus ia ver por baixo mesmo...

A assistente completou:

- Agora deite aqui e coloque cada perna em um apoio, certo querida!

- Ah, tá!

Fiz o que ela pediu, mas eu devia estar mais dura do que "sei lá o que". Só uma mulher sabe o que é esta sensação de vazio vindo por debaixo das pernas, o friozinho que bate sem calcinha e suas pernas arreganhadas e presas naqueles suportes... não tem nenhum vazio igual.

O Dr. Jesus entrou. Sim, esse era o nome do médico, não é brincadeira cristã, não. Então o vexame sucedeu. Ele aproximou uma aparelhagem parecida com um microscópio. Isso eu só vi depois, pois neste instante eu estava olhando para o teto, tentando relaxar minha perna que estava muito tensa. E ele pediu com toda gentileza:

- Você pode chegar um pouco mais para baixo, por favor.

Eu nem pensei duas vezes e imediatamente tirei minhas duas pernas daqueles suportes de ferro e....cadê a maca? Foi tudo muito rápido, esperava que havia uma maca embaixo de mim, mas metade dela foi abaixada! ...Eu bati com o pé no instrumento do doutor, pelada e tudo mais, pisei nele e quase cai no chão...foi péssimo! O instrumento não quebrou, graças a Jesus! E para piorar eles não deram uma risada...
Voltei para a maca, agora avisada que a parte debaixo dela se abaixa quando agente deita e apoia as pernas no treco, e terminei a consulta em silêncio profundo...
E claro, nunca mais voltei no Dr. Jesus. Ele era um ótimo médico, mas minha vergonha não permitiu continuar sendo paciente dele.
Hoje me lembro disso com muita graça e contei ontem para o Dr. Julio, meu "novo Gineco" que me atende a 13 anos..e com ele eu nunca caí! Graças à J..Deus!



quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Me achei na Filosofia!


Eu acho que descobri porque o título do blog “reflexão de um leão” foi pensado e definido por mim com tanta clareza e rapidez. Sempre amei refletir, é fato, mas recentemente o que tenho mais feito é refletir idéias sobre o mundo, o Homem e o ser.

Tenho curiosidade em compreender, e me inquieto ao questionar os valores e as interpretações aceitas sobre a realidade dadas pelo senso comum e pela tradição.

Não é por acaso que abdiquei de uma suposta “sólida” carreira de executiva, para me dedicar à arte e o saber. E continuo questionando esta e outras formas “regradas” de trabalho; entre outras questões como a “cobrança” de ser mãe; as formas de encarar o sucesso; a “felicidade” matrimonial; os “valores” de uma arte; o “valor” do trabalho de um artista, mais especificamente de um ator; etc.

Estava angustiada por me sentir sem nenhuma especialidade; apesar de ser formada em Propaganda e Mkt, trabalhado como securitária durante 10 anos e feito curso técnico em Artes Cênicas, ainda não sou especialista em nenhuma das áreas, tenho muito que aprender. E com isso continuo sendo mal interpretada pelos meus próximos, por não ter um trabalho de 2ª a 6ª, dás 08h às 18h, com toda esta formação.

Gosto de fazer Yôga, que é uma filosofia que muito me interessa e ao mesmo tempo estou estudando o espiritismo, com admiração e dedicação. E pode até ser que “não poderia misturar as duas coisas”.

Perdida, nas minhas reflexões, achei uma revista sobre FILOSOFIA, que havia comprado e não tinha lido. Então comecei uma peregrinação sobre o assunto:

A principal característica que Aristóteles vê num filósofo é que ele não é um especialista. O sophós (o sábio, tomado aqui como sinônimo de filósofo), é um conhecedor de todas as coisas sem possuir uma ciência específica. O seu olhar derrama-se pelo mundo, sua curiosidade insaciável o faz investigar tanto os mistérios do kosmos (o universo) como o da physis (a natureza), como as que dizem respeito ao homem e à sociedade. No fundo, o filósofo é um desvelador, alguém que afasta o véu daquilo que está a encobrir os nossos olhos e procura mostrar os objetos na sua forma e posição original, agindo como alguém que encontra uma estátua jogada no fundo do mar coberta de musgo e algas, e gradativamente, afastando-as uma a uma, vem a revelar-nos a sua real forma.

Para Platão, a primeira atitude do filósofo é admirar-se. A partir da admiração faz-se a reflexão crítica, o que marca a filosofia como busca da verdade. Filosofar é dar sentido à experiência.

Para Edmund Husserl, a filosofia deve embasar a ciência realizando uma investigação rigorosa dos fenômenos como nos aparecem, ou seja, da consciência que temos das coisas. Para tal, deve-se por em parênteses todas as pressuposições e preconceitos (até mesmo a certeza de que os objetos existem) e descrever o que se tem na consciência.

Filosofia indica um estado de espírito, o da pessoa que ama, isto é, deseja o conhecimento, o estima, o procura e o respeita.

Entre os povos que desenvolveram escritas fonéticas ou ideogramáticas, as principais tradições filosóficas são a filosofia indiana, a filosofia chinesa e a filosofia ocidental. A maçonaria, o seicho-no-ie, a yoga, a rosa-cruz e a teosofia são os exemplos mais comuns de tradições filosóficas.

Metafísica: Concerne os estudos daquilo que não é físico (physis), do conhecimento do ser (ontologia), do que transcende o sensorial e também da teologia.

Epistemologia: Estudo do conhecimento, teoriza sobre a própria ciência e de como seria possível a apreensão deste conhecimento.

Ética: Para Aristóteles, é parte do conhecimento prático já que nos mostraria como devemos viver e agir.

Estética: A busca do belo, sua conceituação e questionamento. O entendimento da arte.

Lógica: A busca da verdade, seu questionamento, a razão.

Ou seja, os principais objetos da filosofia, são de todos e os meus:
Estudar a Teologia; Como viver e agir; Entendimento da arte; Buscar a verdade!

Agora o próximo passo é procurar a Universidade...será?

..martela hoje

Conhecimento
substantivos: saber; sabedoria; filosofia; intuição.
verbos: saber; conhecer, filosofar; conhecer.
adjetivos: culto; lido; entendido; pensante.